Ciência!
Que delícia que eram aqueles almanaques de antigamente, textos, imagens, curiosidades! E muitas atividades do tipo "faça você mesmo". A idéia aqui é a mesma, reunir experimentos, ideias, provocações que possam ajudar a tornar as salas de aula de ciências espaços mais instigantes e produtivos!
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
terça-feira, 8 de julho de 2014
O que seria da ciência sem a delícia da imaginação?
E o que seria do cinema se não existissem "bíblias de zoologia de invertebrados"?
Ainda não há para vender no Brasil. Ah...mundo....globaliza logo.
terça-feira, 24 de junho de 2014
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Série Sala de Aula Efervescente: Episódio 1
Hoje fiz uma retrospectiva mental sobre minha trajetória como professora e lembrei de episódios muito interessantes vividos por mim em sala de aula. Episódios que fizeram parte da minha formação como professora. E antes que eles se embaralhem diluindo-se nas minhas memórias, resolvi contá-los aqui no blog. Assim ficam registrados para mim e quem sabe possam servir para algum tipo de reflexão para os educadores que eventualmente passem por aqui. Contarei aqui os episódios que integrarão a Série Sala de Aula Efervescente. Não os contarei cronologicamente, mas seguirei o que minha vontade (em algum lugar minha vontade precisa prevalecer, né?) e minha memória selecionarem espontaneamente. (Vou sempre ilustrar com imagens inéditas. A foto é de uma escultura no Museu do Vaticano, em Roma. Seriam cócegas?)
Episódio I
Todo professor comprometido com o aprender de seus alunos sabe como é difícil preparar uma avaliação e depois avaliar cada aprendiz, respeitando a diversidade do alunado e a relevãncia dos assuntos. Pois bem, na prática é uma tormenta (saudável) os alunos reclamando das questões da prova e das notas que obtiveram. É difícil exercer justiça. Certa vez eu tive uma turma de quinta série (11 anos) super questionadora. Para eles meu esforço de avaliação nunca era suficiente. Resolvi fazê-los sentir na pele o trabalho que era preparar e corrigir uma prova. Propus uma atividade diferente. A primeira parte seria de elaboração de questões. Eles deveriam fazer a pergunta e pensar a resposta. Cada aluno fez uma dúzia e eu escolhi "as melhores" (na verdade escolhi diversidade, pois as questões eram basicamente as mesmas). A partir da produção dos alunos eu confeccionei uma prova com 30 questões, uma de cada menino, que a turma respondeu em uma aula-teste animada, com as questões circulando pela sala. Em seguida, embaralhei os testes e os distribuí aleatoriamente de maneira que os alunos corrigissem a prova dos colegas de forma cruzada. E então, de posse do gabarito preparado pelos alunos iniciamos a correção. Aí a porca torceu o rabo! Eles contestavam as questões, a reposta eleita pelo autor da pergunta, percebiam que muitas vezes algumas perguntas admitiam mais de uma reposta, identificaram questões ambíguas e reconheceram que ela parecia uma excelente questão, perceberam que alguns assuntos haviam sido demasiadamente explorados na prova em comparação a outros e o pior....Descobriram-se na desconfortável posição de avaliador dos colegas. Alguns sabiam do esforço do amigo aprendiz e queriam dar notas melhores, como um estímulo independente do desempenho naquele momento. Outros não admitiam que colegas considerados pelo grupo alunos ruins obtivessem notas iguais ou melhores que a obtidas por eles. A sala parecia uma campo de batalha discursivo! E eu quando estavam a ponto de virar a esquina para a barbárie chamei-os a razão lançando a provocação: viram como não é fácil fazer uma prova e corrigi-la? Que avaliar é mais que dizer que tá certo e errado e dar uma nota? Perceberam quantas questões estão envolvidas aí?
Episódio I
Todo professor comprometido com o aprender de seus alunos sabe como é difícil preparar uma avaliação e depois avaliar cada aprendiz, respeitando a diversidade do alunado e a relevãncia dos assuntos. Pois bem, na prática é uma tormenta (saudável) os alunos reclamando das questões da prova e das notas que obtiveram. É difícil exercer justiça. Certa vez eu tive uma turma de quinta série (11 anos) super questionadora. Para eles meu esforço de avaliação nunca era suficiente. Resolvi fazê-los sentir na pele o trabalho que era preparar e corrigir uma prova. Propus uma atividade diferente. A primeira parte seria de elaboração de questões. Eles deveriam fazer a pergunta e pensar a resposta. Cada aluno fez uma dúzia e eu escolhi "as melhores" (na verdade escolhi diversidade, pois as questões eram basicamente as mesmas). A partir da produção dos alunos eu confeccionei uma prova com 30 questões, uma de cada menino, que a turma respondeu em uma aula-teste animada, com as questões circulando pela sala. Em seguida, embaralhei os testes e os distribuí aleatoriamente de maneira que os alunos corrigissem a prova dos colegas de forma cruzada. E então, de posse do gabarito preparado pelos alunos iniciamos a correção. Aí a porca torceu o rabo! Eles contestavam as questões, a reposta eleita pelo autor da pergunta, percebiam que muitas vezes algumas perguntas admitiam mais de uma reposta, identificaram questões ambíguas e reconheceram que ela parecia uma excelente questão, perceberam que alguns assuntos haviam sido demasiadamente explorados na prova em comparação a outros e o pior....Descobriram-se na desconfortável posição de avaliador dos colegas. Alguns sabiam do esforço do amigo aprendiz e queriam dar notas melhores, como um estímulo independente do desempenho naquele momento. Outros não admitiam que colegas considerados pelo grupo alunos ruins obtivessem notas iguais ou melhores que a obtidas por eles. A sala parecia uma campo de batalha discursivo! E eu quando estavam a ponto de virar a esquina para a barbárie chamei-os a razão lançando a provocação: viram como não é fácil fazer uma prova e corrigi-la? Que avaliar é mais que dizer que tá certo e errado e dar uma nota? Perceberam quantas questões estão envolvidas aí?
sábado, 5 de abril de 2014
Tarefa: Saberes Docentes
A partir da cena a seguir, façam uma análise crítica-reflexiva:
"Assim que entrei, todos se organizaram e ficaram em silêncio, achei ótimo , realizei a chamada para conhece-los pessoalmente. Durante os primeiros 40 minutos de aula, quase todos os alunos começaram a participar, a interagir com perguntas, algumas delas foram se o homem evoluiu do macaco, se poderiam existir dinossauros novamente, como surgiu a vida na terra. O Tema e as curiosidades chamaram atenção, mas nem todos queriam realizar uma das atividades, que utilizassem da imaginação para desenhar no quadro como eram os primeiros habitantes na terra. Alguns alunos foram atenciosos e quiseram desenhar, e a sala toda ficou empolgada com os desenhos, pois cada um fez do seu jeito. Quando pedi pra um deles se dirigir ao quadro para desenhar, ele não quis participar , mas depois de quase todos desenharem, ele pediu o pincel e desenhou um pênis fugindo completamente do tema, e bastou desenhar que a sala toda caiu em risos descontrolados. No primeiro momento refleti diante da atitude, e perguntei o que era aquilo, e ao invés de agir de forma autoritária optei por explicar sobre anatomia humana e a sexualidade, através do desenho que ele tinha feito. Todos os alunos não esperavam, e ficaram espantados e atenciosos com aula final .Acho que todo professor tem que estar preparado pra qualquer situação, dessa vez consegui converter uma situação que poderia acabar sendo conflituosa em algo aproveitoso."
"Assim que entrei, todos se organizaram e ficaram em silêncio, achei ótimo , realizei a chamada para conhece-los pessoalmente. Durante os primeiros 40 minutos de aula, quase todos os alunos começaram a participar, a interagir com perguntas, algumas delas foram se o homem evoluiu do macaco, se poderiam existir dinossauros novamente, como surgiu a vida na terra. O Tema e as curiosidades chamaram atenção, mas nem todos queriam realizar uma das atividades, que utilizassem da imaginação para desenhar no quadro como eram os primeiros habitantes na terra. Alguns alunos foram atenciosos e quiseram desenhar, e a sala toda ficou empolgada com os desenhos, pois cada um fez do seu jeito. Quando pedi pra um deles se dirigir ao quadro para desenhar, ele não quis participar , mas depois de quase todos desenharem, ele pediu o pincel e desenhou um pênis fugindo completamente do tema, e bastou desenhar que a sala toda caiu em risos descontrolados. No primeiro momento refleti diante da atitude, e perguntei o que era aquilo, e ao invés de agir de forma autoritária optei por explicar sobre anatomia humana e a sexualidade, através do desenho que ele tinha feito. Todos os alunos não esperavam, e ficaram espantados e atenciosos com aula final .Acho que todo professor tem que estar preparado pra qualquer situação, dessa vez consegui converter uma situação que poderia acabar sendo conflituosa em algo aproveitoso."
Tarefa: Saber Biológicos
Fazer uma foto que dialogue com o texto dos "Quintais"
Ainda não recebi nada....
Ainda não recebi nada....
segunda-feira, 3 de março de 2014
Blogueiras de ciência
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Tarefa EAD sobre Lições de Coisas
Considerando que a escola é uma "tradição inventada" a tarefa de vocês é pesquisar na WEB alternativas para a escola que conhecemos e colocar aqui nos comentários o link produto da garimpagem intelectual realizada. Voltem ao blog depois da fazerem a tarefa, pois a partir do que cada um descobrir novas tarefas podem ser postadas. De qualquer maneira, a data limite para a postagem é 6 de fevereiro. Bom trabalho!
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
domingo, 17 de novembro de 2013
domingo, 3 de novembro de 2013
Tarefa Ead para alunos da UFTM: semana do dia 8 de novembro
Alunos da aula de TIC, olá! Vejam este vídeo. Conhecem? O rapaz que inventou o formato nos EUA foi elogiado por Bill Gates e teve a ideia comprada por nosso Ministro da Educação (sim, recebeu dinheiro do Brasil para fazer aqui o que faz lá, ele apenas gravou em português). Conhecem este dublador? Pois, ele é dublador de desenhos animados (e também é biólogo). Mas gostaria que vissem o vídeo e depois comentassem aqui o que acha. Uma das tarefas de vocês será fazer um vídeo sobre um determinado conteúdo de biologia. Por isso é bom que conheçam vários formatos para depois escolher com o que querem se parecer. Então este vídeo é bom? Por que? O que poderia ser diferente?
Comentem aqui no blog!
A nova tarefa será postada no dia 10 de novembro!
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Pilha de limão?

Energia química convertendo-se em energia elétrica, muito simples! Para fazer uma pilha utilizando limão vamos precisar de dois limões, três pedaços de fio de cobre, duas plaquinhas de cobre e duas de zinco e fita isolante. Cada limão terá uma placa de zinco e uma de cobre, confome se vê na figura. Feita a montagem, utlize um voltímetro para chegar a presença de corrente. Podemos usar batatas também!
Onde encontrar
As placas de zinco de cobre podem ser conseguidas em lojas especilizadas em telhados e calhas. Um voltímetro bem em conta pode ser adquirido em lojas de "artigos de 1,99" por aproximadamente 16 reais.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Uma provocação: as pessoas grandes têm sempre necessidade de explicações?
sábado, 10 de agosto de 2013
Pacotes Sonoros: desembrulhe...eis uma aula!
Pedi que meus alunos imaginassem aulas diferentes a partir do filme Vermelho como o Céu, sobre o qual já falamos aqui! Agora irei compartilhar com vocês 7 das21 ideias apresentadas. Como são todos quase-biólogos, foi recorrente explorar "sons da natureza". Mas alguns alunos propuseram mais que brincar com o os sons: pensaram em bandas, caças ao tesouro e utilizar apenas a boca para produzir sonoridades! O ciclo da água também foi tema da aula-sonora. Pois não é que a aluna criou dois ou três mecanismos para dar som a água! E sons que não conhecemos, como emiti-los? Pois há uma aula para imaginar como seriam...Todas as aulas imaginadas são viáveis! E para os alunos um brinde e mais uma ideia: um jardim sensorial itinerante! Não dava um lindo objeto de aprendizagem?
CAÇA AO TESOURO (Por Pedro Macari)
A brincadeira seguirá as regras usuais de caça ao tesouro, aquela onde você esconde pequenos papéis em locais, e por meio deles você vai seguindo as pistas dadas, até chegar ao tesouro. Porém essa será um pouco diferente, pois visa trabalhar com crianças com deficiência audiovisual. As dicas serão escritas em Braile para que o aluno possa “ler”, porém as dicas não serão dadas de acorda com as características do local, e sim com a textura do local, com os sons que o local possui. Por exemplo, no jardim, tem cheiro de grama e os bancos tem uma textura meio áspera, e tem passarinhos cantando, por essas características se montariam as dicas para os alunos seguirem, e assim por diante, sempre utilizando outros sentidos que não a visão, como olfato, tato, auditivo entre outros. Não é uma brincadeira nova, apenas diferente do usual, acredito que muitos deficientes visuais não chegaram a fazer este tipo de brincadeira (maioria). Para a complementação da mesma pode ser feito algo para ver se as crianças se divertiram, tipo dar massinha para elas e pediram para elas refazerem as textura que sentiram, um gravador para imitar os sons que escutaram nos locais, e fazer com que elas tentem representar os cheiros que sentiram.
CICLO DA ÁGUA (Por Bruna Petersen)
A atividade proposta para tal atividade se baseia em representar o ciclo da água através dos sons que o representam.Primeiramente é necessário um gravador de sons de boa qualidade. Posteriormente seriam usados alguns materiais externos, como: 1. Uma torneira aberta, para que se possa imitar o som de rios e mares existentes; 2. Uma superfície metálica muito quente, que seria usada para representar o vapor de água (jogasse um pouco de água encima da superfície metálica para que faça o som de evaporar); 3. Uma placa de metal pouco maleável para que seja possível imitar o som de trovões; 4. Um chuveiro aberto imitando o som das chuvas; e novamente tudo de novo, dando a ideia de ciclo. Ao final da gravação seriam feitas as edições necessárias e depois essa gravação seria usada para explicar o ciclo da água juntamente com a explicação oral dos professores.
AULA DE DANÇA (Por Caroline Correa)
Quando Mirco transforma a estação em som me vêm na memória as aulas de dança que fiz com a querida Roberta, ela nunca encerrava a aula sem uma seção básica de relaxamento, que nada mais era que deitar no chão, fechar os olhos e ouvir... Então porque não vamos fechar os olhos, deitar no chão, relaxar corpo e alma, se transportar em plena mata atlântica apenas com o som, mas sem ter um professor ou uma voz irritante te dizendo onde você está e o que você estaria vendo? Vamos aprender ecologia sem usar uma palavra? Vamos colocar os sons das folhas ao vento? Um pássaro distante? E que tal um riacho bem próximo? Tenho certeza que só lendo você já imaginou o lugar e provavelmente ouviu os sons. Que tal uma aula de predação? Vamos ouvir os sons da savana de um leão se escondendo entre a grama alta a espreita de um deslize do Veado que está pastando próximo? Não é nada difícil de fazer e seria inusitado para os alunos, provavelmente teríamos bons resultados e melhor assimilação do conhecimento por eles ao invés de repetir o que está em um livro. Vamos fazê-los imaginar e raciocinar o que está acontecendo? A proposta é bem simples e você só precisa de um toca CD para realizar a atividade, faça os alunos relaxarem, fecharem os olhos e ouvir, depois de ouvir ao invés de interrogar seus alunos como se fosse a inquisição, sugiro que conte o que imaginou com o som, mas conte algo bastante diferente e espere um de seus alunos contarem o que ele imaginou com o som.
CONTEXTO MÓRBIDO (Por Fernanda Velasco)
A atividade deve ser realizada em grupos de até 4 alunos. Sempre, dois alunos de cada grupo, escolherão um determinado filme. Algumas cenas sugeridas para a escolha do filme são: Equipamentos hospitalares utilizados em casos de internação, cirurgias, partos (normal ou cesariano) e etc.. Animais na floresta; Catástrofes naturais; O intuito da atividade é que, dois dos alunos tenham capacidade de reescrever a cena do trecho escolhido. Nesse momento qualquer som emitido na cena, fora a fala e música, deverão ser escrito pelos dois alunos. Ou seja, os alunos trabalharão com onomatopeias. A única exigência é que os sons a serem descritos devem ser relacionados a alguma ciência (Biologia, Física, Química e Geografia.)
Depois de reescrito esse trecho, os outros dois alunos deverão descrever a cena de forma oral para todos na sala de aula. Em seguida, a dupla pode apresentar o trecho do filme escolhido.
Exemplo: Se uma cena ocorrer em uma floresta de mata fechada com chuva e com o som de grilos, corujas o aluno deve escutar com atenção os sons e descrevê-los sem identifica-los por nomes.
BANDA (Por Raphaela Pagliaro)
A atividade que eu proponho é uma banda biológica. Ela se resumo em um grupo de pessoas (alunos) com instrumentos musicais criados por eles mesmos como, por exemplo: chocalhos, tambores, pratos e instrumentos de percussão no geral. As músicas poderiam ser paródias – melodia pronta, mas letra de criação do grupo- ou canções já prontas como, por exemplo, o professor Alfredo que já gravou seu próprio CD com músicas de biologia. http://www.alfredinhoalves.com.br/p/musicas.html O objetivo da banda seria levar aos diferentes tipos de comunidade (bairro, escolas, universidades, instituições etc.), o conhecimento de ciências biológicas através da música, pois sabe-se que seu potencial de aceitação é grande quando comparado aos métodos de ensino convencionais que, as vezes, apresentam-se um tanto quanto metódicos. Simultâneo a isso o professor poderia utilizar a pratica para avaliar seus alunos. Nesse sentido, o grupo seria responsável por criar, ensaiar e apresentar canções sobre educação ambiental, bichos, plantas, corpo humano e dentro outros assuntos abordados na biologia (estudo da vida). Sob orientação de um professor de biologia ou trabalhando de forma interdisciplinar, com demais professores da escola que queira aderir à música como pratica de ensino. Contudo, a atividade, quando aplicada de forma eficaz, e isso implica na organização e objetividade, pode ser bastante funcional e de grande impacto para com a comunidade e os alunos, pois os mesmos se sentem encorajados a fazer algo que levará alegria e conhecimento a população.
SONS DA VIDA (Por Evaldo Maia)
Como seria se pudéssemos escutar os sons emitidos nos eventos biológicos de nosso organismo? Alguns até escutamos, como os batimentos cardíacos, perceptíveis com a utilização de um estetoscópio, os barulhos provocados por atividade peristáltica do intestino, que é conhecido como “barriga roncando”, e é claro, o barulho, por vezes discreto, outrora bastante perceptível dos gases intestinais, os flatos, emitidos pelo ânus na solidão por sob cobertores ou, quando não dá para segurar, em público mesmo. Mas e quanto às atividades intracelulares e extracelulares, como reações enzimáticas, ciclos metabólicos, sínteses de substâncias, sinapses? Estes sons poderiam ser comparados com barulhos que escutamos no nosso cotidiano de forma analógica. Sendo assim, é possível propor uma atividade com alunos do ensino regular onde cada um faça uma relação entre um evento extra ou intracelular com um som conhecido. Por exemplo: O som de uma sinapse elétrica poderia ser comparado com o barulho provocado por fios de energia elétrica. A síntese protéica pode perfeitamente comparar-se aos sons robóticos das modernas fábricas automotoras, onde cada funcionário traz uma peça diferente para se encaixar no veículo em construção, e os braços robotizados fazem a perfeita montagem destas peças. A energia produzida no ciclo de Krebs pode ser associada aos ruídos de uma usina hidrelétrica, e a energia liberada de uma reação, aos sons da fusão de metais em uma siderúrgica. Seria interessante perceber, sem interferir antecipadamente, como os alunos fariam as analogias de fenômenos microscópicos com sons que estamos em contato a todo o momento.
SONS COM A BOCA (Por Camila ReZende)
A ideia é imitar sons de elementos naturais com a boca, podendo ser animais ou sons como o do vento, rios, chuva, entre outros. Para a realização de tal atividade é necessário somente papel e caneta. A turma deve estar organizada em círculo dentro da sala de aula, sendo que dessa forma, à medida que for a vez de cada aluno, ele deverá se localizar no centro da roda a fim de que todos escutem com clareza o som que está sendo produzido. Os outros colegas deverão anotar em suas folhas o som que estão sendo produzidos, fazendo assim, uma lista. Ao final das imitações, cada um deve fazer um desenho contendo todos os elementos, sendo que eles tenham um contexto e todos deverão socializar suas produções dizendo porque pensou que o ambiente seria aquele. O objetivo dessa atividade é compartilhar a sabedoria a respeito dos sons produzidos pelos elementos naturais. Dessa forma, em uma aula de ecologia, o professor poderá falar sobre diferentes ambientes naturais e a importância da composição dos elementos presentes nele.
Também fizeram a tarefa: Daryane Ribeiro Oliveira, Felipe Tieppo, Marina Caldeira, Augusto, Mariana Teixeira, Ewerton Anézio, Isabella Cunha, Sandra Regina, Gustavo Dessotti, Bruna Cruz, Angelo Antônio, Polyanne Ribeiro, Jéssica Rocha, Drayna Versone.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Motor elétrico
Como montar um motor elétrico bem simplesinho? Aqui uma sugestão, uma pilha, um parafuso comum, um pedaço de fio de cobre e uma "ímã de neodímio" (um pouco mais potente que os ímãs comuns, encotrado em lojas especilaizadas em ímâs, quase uma loja de "brinquedos"). Veja o vídeo e mãos a obras!
Ideias compartilhadas: Boneco Cuca Verde


Boneco Cuca Verde
Material: meia de nylo, serragem, tesoura, alpiste
Como fazer
Corte as pernas* da meio fina de nylon obtendo tubos de aproximadamente 30 cm, abertos dos dois lados. Amarre dando um nó uma das extremidades e encha a meia com a serragem. Á medida que a meia é preenchida ajeite com a mão e pressione para compactar a serragem. Por último, depois de ter enchido a meia (e ela estiver com o aspecto de uma cabeça), jogue o alpiste e espalhe sobre a superfície da serragem, como se fosse um canteiro. Se o alpiste não for devidamente espalhado, nosso boneco terá áreas de calvície! Agora amarre a meia, corte as sobras dos dois lados. Deixe a cabeça em um lugar no qual possa “pegar” sol. Molhe todos os dias. Em aproximadamente 4 dias o alpiste irá germinar e em 10 dias você terá sua Cuca Verde no ponto!!! Daí é hora de dar uma cara a cuca, use a imaginação e faça olhos, boca, nariz, óculos, bigodes, dentes de vampiro!
*Os pés também podem ser aproveitados, ficando, nesse caso apenas um dos lados abetos. A cabeça ficará um pouco menor.
Comentários
O alpiste é uma monocotiledônea, tem apenas uma “mochilinha” de suprimento para a planta jovem (diferente do feijão, uma dicotiledônea, com duas “mochilinhas”). A mochila fica enterrada enquanto a planta cresce. Uma coisa muito bacana para vermos no boneco é o “fototropismo positivo”, ou seja, as plantas sempre crescem em direção a luz. Os cabelos do boneco estão em uma direção porque procuraram a luz durante o crescimento.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Quem ai participa de uma comunidade colaborativa?
Se você participa e quer nos contar a experiência, escreva-nos!
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Receita de sabão
Mais uma receita para o grupo dos professores de ciência do projeto!
Ingredientes
Ingredientes
Óleo usado de cozinha (300 ml)
Álcool de posto de gasolina (200 ml)
Água (200 ml)
Soda Cáustica (50 gr)
Modo de Fazer
1. Junte e misture o álcool com o óleo
2. Misturar e mexer a água com a soda cáustica (manter o rosto distante da mistura para evitar inalar os gases produzidos, usar luvas- a soda cáustica queima e é corrosiva)
3. Juntar as duas misturas anteriores até começar a engrossar.
4. Deixar descansar para solidificar e cortar em quadrados/barras.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
sábado, 27 de abril de 2013
Massa que pula
Aí a receita da massa que pula solicitada em nosso último fórum:
Ingredientes
Ingredientes
Água (50ml)
Borax (2 e 1/2 de sobremesa)
Cola Branca (2 colheres de sobremesa)
Corante
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Procuram-se professores de ciências
Quer participar do projeto? Teremos formações variadas para diferentes demandas de sala de aula. Podem participar professores de ciências da rede pública de ensino do Triângulo Mineiro. Professores interessados devem enviar email para paula.bossler@gmail.com até o dia 1º de maio contando um pouco sua história e porque gostaria de fazer parte desse projeto. Não é preciso ser um perito em tecnologias! Inscrevam-se!
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Como vai funcionar?
Projeto: Análise do processo de criação e retro-alimentação de comunidades colaborativas de ensino com professores de Ciências da Rede Pública de Ensino do Triângulo Mineiro
O projeto pretende identificar as comunidades que já existam, estimular a criação de outras e ajudá-las na alimentação das mesmas com o compartilhamento de atividades e produção colaborativa. Nesse universo do conhecimento todos os professores de ciências da Rede Pública que se sentirem aptos a colaborar serão bem vindos. Há um prazo para inscrição e depois, a partir das demandas de todos, iremos organizar uma agenda de formação.
Quer participar, comece respondendo a um questionário aqui
Quer participar, comece respondendo a um questionário aqui
Fiquem atentos!
quarta-feira, 27 de março de 2013
Boa notícia: oportunidade para professores de ciências que desejam práticas diferenciadas!
Tivemos um projeto aprovado pela FAPEMIG e estaremos nos próximos meses (na verdade anos, são 36 meses) identificando professores de ciências em todo o estado de Minas Gerais para trabalharmos em parceria. O nome do projeto é: Análise do processo de criação e retro-alimentação de comunidades colaborativas de ensino com professores de Ciências da
Rede Pública de Ensino do Triângulo Mineiro.
Logo postaremos aqui mais informações!
Viva!!!
Quem quer "brincar"? Favor escrever para o email paula.bossler@gmail.com.
Logo postaremos aqui mais informações!
Viva!!!
Quem quer "brincar"? Favor escrever para o email paula.bossler@gmail.com.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Depois de longo e nada tenebroso inverno, voltamos à TV Gazeta!
Campo de testes delicioso! Estamos na UFTM testando experimentos que 1) poderão ser vistos na TV Gazeta (próxima sexta, dia 29) e 2) irão compor um livro!
Muita novidade, muitas discussões interesssantes!
Logo postamos mais sobre o que poderá ser visto no ar!
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Livro sobre rádio e ciência
Para quem gosta de se aventurar por territórios híbridos, meu livro começou a ser vendido no link http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3115
No livro transitaremos pelo universo dos cientistas, educadores e comunicadores, tirando de cada mundo o melhor!
Diz se não é um bom presente de Natal?
E não se demore na leitura, que logo em seguida vem o livro sobre televisão e ciência!
domingo, 31 de outubro de 2010
Internet e seleção natural
O livro é "What the Internet is doing to our brains the shallows" e procura descrever os possíveis efeitos do uso exacerbado da Internet sobre os nossos cérebros, logo sobre nossas vidas, a longo prazo. Mas o que esta leitura me leva a questionar, partindo de um viés evolucionista, é sobre que homem será selecionado pelas circunstâncias contextuais de uso da Internet. O funcionamento da Internet articula-se em torno de um conjunto de habilidades do internauta, em detrimento a outras habilidades pouco favoráveis. Nesse sentido, a Internet ocuparia o lugar de uma variante ambiental, embora seja um espaço virtual, selecionando tipos favoráveis para a vida, e tipos desfavoráveis para a morte! E aí poderia vir uma segunda questão: que habilidades têm sido favorecidas pelo uso da Internet? Escritas breves, leituras superficiais, concentração difusa poderiam compor uma possível lista, certo? E que habilidades deixariam de existir? E o que arranjo social podemos esperar partindo desse sujeito pós filtro seletivo via WEB, a longo prazo? Um exercício divertido seria compor esta lista de habilidades que estariam sendo favorecidas ou não nos padrões de navegabilidade atuais. Quem se habilita?
Sobre o livro, logo vem uma resenha por aí. Aguardem...
Referência do livro:
CARR, Nicholas (2010). What the Internet is doing to our brains the shallows. W.W.Norton e Company, New York e London.
Sobre o livro, logo vem uma resenha por aí. Aguardem...
Referência do livro:
CARR, Nicholas (2010). What the Internet is doing to our brains the shallows. W.W.Norton e Company, New York e London.
O que a ciência diz dos tipos bonzinhos?
Meu mundo caiu (como diria minha irmã que não tira o pé da adolescência)! Pois o tipo bonzinho pode ser uma vantagem seletiva, acreditam? E eu querendo ficar má, desenvolver todo meu potencial agressivo e hostil. Achei esta pérola no blog Ciência Maluca da Revista Super interessante, que é uma injeção de criatividade frente a aridez mundanaacademicana! Visitem! Eeles reunem muitos post divertidos e instigantes.
A seguir o texto que trouxe de lá, nas idéias e na íntegra!
Bonzinho só se dá mal? Você mesmo já deve ter soltado essa várias vezes (talvez, trocando o “se dá mal” por algo mais acalorado – normal). Mas sabe essa coisa de se sentir o eterno loser por ser o “nice guy”? Está errada. (A tal máxima, “nice guys finish last”, é atribuída a um treinador de baseball norte-americano, Leo Durocher, que teria dito sobre o time adversário, em 1939: “Olhe para eles! São todos bons rapazes, mas vão terminar por último. Bons rapazes. Terminam por último.”)
Pesquisadores da Universidade do Texas, em Arlington (EUA), dizem que ser bonzinho é, surpreendentemente, bom – pode confiar! “A cultura popular descreve o ’ser bonzinho’ como uma desvantagem social. Mas pesquisas apontam que a agradabilidade está associada a uma série de vantagens”, contam.
Segundo os especialistas, ser um “nice guy” leva a amizades de melhor qualidade, torna a pessoa um pai (ou mãe) melhor, melhora a performance acadêmica e profissional e ainda dá um gás na saúde. O argumento do estudo é que ser bonzinho, ao contrário do que a gente costuma pensar, não é o mesmo que ser facilmente influenciável, nem algo causado por “desejabilidade social” (quando você tenta agradar os outros para ser aceito). “A agradabilidade pode ser o caminho para garantir relações interpessoais duradouras, felicidade, sucesso e bem-estar”. Viu? É ciência.
A seguir o texto que trouxe de lá, nas idéias e na íntegra!
“Só me ferro”
Pesquisadores da Universidade do Texas, em Arlington (EUA), dizem que ser bonzinho é, surpreendentemente, bom – pode confiar! “A cultura popular descreve o ’ser bonzinho’ como uma desvantagem social. Mas pesquisas apontam que a agradabilidade está associada a uma série de vantagens”, contam.
Segundo os especialistas, ser um “nice guy” leva a amizades de melhor qualidade, torna a pessoa um pai (ou mãe) melhor, melhora a performance acadêmica e profissional e ainda dá um gás na saúde. O argumento do estudo é que ser bonzinho, ao contrário do que a gente costuma pensar, não é o mesmo que ser facilmente influenciável, nem algo causado por “desejabilidade social” (quando você tenta agradar os outros para ser aceito). “A agradabilidade pode ser o caminho para garantir relações interpessoais duradouras, felicidade, sucesso e bem-estar”. Viu? É ciência.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Anônimo...funcionário dos correios?
Em postagens anteriores (aqui) não disfarcei meu descontentamento com relação aos serviços dos correios do Brasil. E não melhora! Minha lista de queixas só faz crescer....Ainda mais depois das compras feitas pela internet no final do ano. Pois não é que encontrei hoje um comentário "anônimo" chamando-me de desinformada...Mas não é necessário um esforço neuronal de vulto para saber que só pode ser funcionário do correio, né?
Olha aí o texto do "Anônimo"...
"Isto não existe??
São feitas tres tentaivas de entrega e depois(como não tinha ninguem pra receber)fica na agencia a disposição do cliente.
Ou queria que entregasse pra quem se não tinha ninguem pra receber.
Nem precisava te responder,procura te informar!!! "
Olha aí o texto do "Anônimo"...
"Isto não existe??
São feitas tres tentaivas de entrega e depois(como não tinha ninguem pra receber)fica na agencia a disposição do cliente.
Ou queria que entregasse pra quem se não tinha ninguem pra receber.
Nem precisava te responder,procura te informar!!! "
domingo, 27 de setembro de 2009
Eu ainda odeio os correios!
Outro dia li que no mundo inteiro os profissionais pelos quais a população tem mais confiança são: bombeiros, os carteiros e os professores. Não sei se rio, ou se choro! Mas ontem recebi um comentário anônimo em uma das minhas postagens antigas sobre os correios, que reproduzo aqui. Deve ser um funcionário do mês dos correios, não é? Eu não mudei minha opinião sobre os correios, ponto final! Essa semana farei uma postagem (pelos correios) importante, para fora do país...Vamos ver qtos dias levará???
Esse post é uma reprise. Resolvi repetir a dose, porque hoje vivi mais um absurdo nos Correios. Que saudade da época que eu tinha admiração pelos carteiros....Imaginem, se você mandar um sedex e a entrega for em um prédio, o carteiro, carteiro comum não especial, não interfonará para o apartamento indicado no endereço. O carteiro só deixará o sedex se houver um porteiro, caso contrário, no lugar de chamar o morador do partamento, deixcará uma notificação: busque o sedex no correio! Essa, minha gente, é a entrega especial dos Correios do Brasil!
Escrevi para a ouvidoria, vamos ver se respondem, conto aqui se o fizerem! Por hora, vamos ao Nietszche.Certos absurdos sociais têm sido justificados pelas pessoas com a expressão “Ah...isso é normal!”. Tudo indica que o número de pessoas agindo de forma inadequada e o tempo que tal comportamento encontra-se em vigência legitima o torto. “Todo mundo faz assim. É assim que funciona. Não tem como mudar. É normal.” Dá medo a forma de acomodação em massa. Era sobre isso que Nietzsche falava em Vontade de Potência ou entendi errado? Em suas palavras:“ O que mais me surpreende, quando passo em revista os grandes destinos da humanidade, é ter sempre diante dos olhos o contrário do que hoje vêem ou do que desejam ver Darwin e sua escola: a seleção em favor dos seres mais fortes e bem nascidos, o progresso da espécie. Mas é precisamente o contrário o que entra pelos olhos: a supressão dos casos felizes, a inutilidade dos tipos melhor nascidos, a dominação inevitável dos tipos médios e até dos que estão abaixo da mediana (...). Essa vontade potência, em que reconheço o fundo e o caráter de toda mutação, explica-nos porque a seleção não se faz precisamente em favor das exceções e dos casos felizes: os mais fortes e mais felizes são fracos, quando têm contra si o os instintos organizados do rebanho, a pusilanimidade dos fracos e o grande número (...).”
domingo, 20 de setembro de 2009
Se você fosse um invertebrado...

Você não pode escolher pois não sabe bem quem são os invertebrados? Pois, são os bichos que não têm esqueleto, sem ossos. Normalmente as pessoas não os apreciam, têm medo ou nojo. Mesmo eu, bióloga que sou, não tenho muita simpatia por alguns. Por exemplo, as baratas, invertebrados que não su-porto! Mas hoje estive a pensar, que se eu fosse um invertebrado, acho que gostaria de ser uma aranha. Oito patas....Elas elegantes, deslizam com suas perninhas finas...Hábeis, tecem com fio produzido por elas mesmas teias magníficas, rendas...São rendeiras as belezinhas...Os bebês são carregados em uma "bola"(ooteca), que a mamãe-aranha protege com a própria vida! Mas o motivo pelo qual eu ia querer ser uma aranha é outro...É que hoje estive a observar uma aranha, tão linda, e a imaginei tocando acordeon. Teria cena mais linda???Uma aranha usando suas delicadas patinhas para tocar sanfona...as outras penduradinhas, a balançar.....
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Dia Mundia da Ciência
Em novembro, dia mundia da ciência. Há um concurso para alunos do ensino médio, vejam em http://www.brasilia.unesco.org/areas/ciencias/institucional/premios-unesco-em-ciencias-naturais/dia-mundial-da-ciencia-2009/DiaMundialCiencia2009.
Participem!
Participem!
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Ciência e diversidade de idéias
Que tal um pouco de ciência sob um prisma de diversidade de temas e recortes? Vejam o blog http://oamigodewigner.blogspot.com/. Adorei a planta do deserto que floresce mesmo sem ter olhos humanos para sua contemplação...Será que vou ver?
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Ousadia e simplicidade: sonoridas colhidas num lago
Estar atento ao mundo que nos rodeia..Essa imagem do Hermeto Pascoal produzindo sons com o corpo e o entorno faz graça e faz pensar:tanto ainda por fazer e tão pouca ousadia nas ações...
sábado, 14 de fevereiro de 2009
As imagens do ambente no imaginário das pessoas: clichês
Se alguém lhe pedisse para organizar uma imagem (um desenho feito por você, ou uma montagem com vídeos e fotos) sobre a natureza/ambiente o que você escolheria para esta representação? Esse tipo de questão, as imagens que comporiam o repertório ambiental das pessoas foi tema de uma pesquisa (aqui noticiada http://www.comciencia.br/comciencia/?section=3¬icia=521) . Clichês: parece ser o que a investigação tem encontrado. Vamos esperar para ler mais, pois eu fiquei curiosa sobre as "recorrências"! Se achar antes de vocês coloco aqui!
domingo, 18 de janeiro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
O meu chapéu tem três pontas!
O meu chapéu tem 3 pontas!
Tem três pontas o meu chapéu!
Se não tivesse três pontas,
Não seria o meu chapéu!
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Divulgação científica "bunda rotunda"
Enquanto trabalho em minha tese passo por pequenos surtos de contestação por conta das declarações acadêmicas que tenho encontrado em minhas leituras. Meu estômago embrulha literalmente! Parece mesmo que acreditam que as "camadas populares" abrigam apenas sujeitos despreparados para o sofisticado (sofisticado do ponto de vista deles, é claro!). A idéia é simplificar, empobrecer, facilitar para que este outro consiga aprovietar qualquer informação disponibilizada. "As classes populares, que em geral são ecléticas nos hábitos culturais, dificlmente preencheriam os requisitos recursivos necessários para um uso sofisticado da linguagem a ponto de dominar fluentemente o gênero lírico associado a contextos e experiências com a natureza conceitual da realidade". Trecho de uma tese (http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/diaadia/diadia/arquivos/File/conteudo/artigos_teses/Ciencias/Teses/TeseGisnaldoAmorim.pdf). O trabalho aprofunda-se em áreas para mim bastante interessantes. Mas ianda não sei como pensa o autor. Como sabem, devemos evitar dizer nossas impressões nas teses que escrevemos (KKKKKKKKKKKKKK). Ainda estou a ler, pode ser que mais para frente ele se posicione. Mas entendo que ele percebe que outros autores acreditam que a população em geral "não dá conta do recado". Fico pensando no post anterior no qual contei do meu gato Mimi e seu encantamento pela música clássica, com um repertório neuronal tão simples... E também penso em uma discussão na Universidade de Lisboa sobre como a fé na auto-eficácia pode ser determinante nos resultados que cada um obtém em uma tarefa, acreditar que se é capaz de fazer algo. E penso ainda em um poema do Drummond obre a "bunda" ("bunda rotunda"), lindo, imapactante e...simples!! Todos entendemos, todos! Alguns cientistas realmente acreditam que o que estudam é de natureza complicada e difícl. Não seriam eles pouco dotados de recursos para falar da sua ciência de maneira simples? E a paúra que a emoção causa: gêneros inconciliáveis a divulgação científica e a literatura!(dito por um autor que eu amo e que faz ficção cheia de ciência e emoção!)
Mas por que estou a enervar-me? Afinal este blog nem aparece associado a idéia de divulgação científica!!!!!!
Melhor assim, muito melhor...Minha sanfona me consola....
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Afinal, pode a ciência ser divertida?
Aqui chove. Eu aproveito as derradeiras horas de 2008 para trabalhar na análise dos programas de TV que vim estudar. Realizo a tarefa sem grande entusiasmo. Minha sanfona me espera ansiosa para brincarmos em um canto do quarto. Ela tem olhos. Eu a acho muito obediente, poderia ser mais travessa. Mas ela espera quietinha, o fole suspira longamente. E eu a olho amorosamente. "Não é uma experiência, Carlota, é mais um aviso de perigo". Esquentar água no microondas pode ser perigoso, é o que diz o "cientista apresentador". Depois uma bola de sabão cheia de gás carbônico estoura e eles dizem "é mesmo assutador". Preciso ver Jogos Mortais, o último, antes que saia do cinema. Isso sim é assustador, e aliás, esta expressão nem precisa ser convocada ao longo da trama para que nós espectadores nos assutemos. Mas isso eu não posso dizer na tese, pois são impressões minhas. Minhas impressões só tem valia sem alguém mais velho, mais famoso, mais competente, que tenha publicado mais e principalmente "convencido mais pessoas da sua genialidade" tenha dito o mesmo que minhas impressões sinalizam. Parece-me que nem mesmo quem trabalha com ciência se emociona e se diverte com ela. Fazem programas de experiências e em casa espicham-se no sofá para ver Titanic. Talvez seja uma fase da minha caótica trajetória, e "se calhar" (como se diz aqui em Lisboa) eu volto a ver esse cenário com mais alegria. Na verdade, eu continuo a me emocionar com a ciência. Aqueles bebês medusas que vi no Oceanário de Lisboa (tem post sobre isso) arrancaram-me lágrimas! Só não sei se quer investir minha energia para que os outros se emocionem com isso. Ou ainda e pior, não sei se todos os outros que eu gostaria que se emocioanassem estariam preparados para conectar-se com esse tipo de emoção. (Neste momento, alguns leitores deverão estar a dizer: mulherzinha presunçosa, acha-se mais preparada, como se fosse de alguma maneira superior essa capacidade de se emocionar). Ok, acho que disse isso mesmo, quem quiser pode criticar ou enxovalhar-me. Mas não pode ser só isso, não é possível que os homens (e mulheres..) queiram tão pouco da vida! Um exemplo e encerro essa conversa. Houve um natal em minha casa, que alguém ganhou uma fita (faz tempo isso...) de música clássica (que não me lembro mais o que era). Pois bem, trocados os presentes voltamos á mesa e alguém colocou a música para tocar. De repente minhas irmãs chamam da sala eufóricas para vermos "algo". A cena era a seguinte: nosso gato embevecido pelo som que saía do aparelho encontrava-se na sala literalmente abraçado as caixas de som! A música causava nele uma espécie de frenesi, ele esfregava-se no aparelho, subia e descia, procurando um local no qual pudesse fruir a maravilha sonora ainda melhor! Aquilo foi lindo, um ser vivo hipnotizado pela beleza. Se um cérebro muito menos sofisticado como o do Mimi é capaz dessa experiência, não seríamos todos??
domingo, 28 de dezembro de 2008
Caixa preta
Na minha opinião, provavelmente grandemente "contaminada" pelo que sou, ser professor é ofício mais sofisticado que pode haver. Lidamos com o invisível, o que se desenrola na cabeça do outro, caixa preta inviolável. Inventamos maneiras para que este outro materialize o teatro de imagens que está a acontecer. Ele fala, ele escreve, ele constrói. Garimpamos evidências. Mas não há como saber. Alguns acreditam ingenuamente que a aprendizagem pode ser averiguada pelas avaliações/provas. Por vezes é ingrato ser professor. Semeamos o invisível, não sabemos se haverá colheita, e se houver muito certeiramente não estaremos por perto para apreciá-la. Trabalhamos arduamente no presente, mas o resultado pode só surgir no futuro. Nessa jornada, é bom termos outros professores por perto, ter com quem compartilhar estas angústias da profissão. Na minha trajetória estes colegas foram muitas vezes determinantes. Colegas mais experientes, diferentes de mim, que enxergavam outros vieses ou que simplesmente diziam doer no mesmo sítio onde me doía. Mesmo porque socialmente a profissão de professor aparece como uma prática simples: cobrir a lousa de lições, corrigir trabalhos de casa, aplicar provas e ganhar maçãs e flores dos alunos. Os alunos não são tabulas rasas! São indivíduos vivos e pulsantes, cheios de afetos e desafetos. Entre as competências que possuem e as que gostaríamos de ajudá-los a desenvolver há um oceano de complexidades que irão emergir bem no meio da nossa sala de aula! Cada aluno é mais que um copo físico, há um cenário mambembe ao redor de cada um com a história que cada uma traz e que poderá ser um facilitador ou um empecilho para o processo do aprender. As vezes tudo isso me cansa...Fico com vontade de ser outra coisa na vida, ganhar mais dinheiro, ir a reuniões produtivas, ter a admiração dos outros pela profissão que escolhi...
Mas aí, num domingão como este...cai do céu um email de um ex-aluno...Falando-me do que aprendeu comigo...do quanto foi importante....Uma declaração gratuita sobre o meu semear...E aí dá uma vontade boa de continuar semeando....
Mas aí, num domingão como este...cai do céu um email de um ex-aluno...Falando-me do que aprendeu comigo...do quanto foi importante....Uma declaração gratuita sobre o meu semear...E aí dá uma vontade boa de continuar semeando....
Foto da Praça da Espanha, Lisboa, inverno...
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Véspera de Natal, amor e jardins
É difícil falar de amor sem parecer piegas. Mas como disse uma das vozes de Pessoa, "todas as cartas de amor são ridículas e não seriam cartas de amor se não fossem ridículas..". Então, nesta véspera de Natal, entrego-me a pieguice para falar de amor, que é o que realmente importa nesta vida (na minha opinião). Eu como tantas criaturas por aí gostaria muito de entender este sentimento. Não falo tão somente do amor entre um homem e uma mulher, mas também deste. Falo do amor que senti instantaneamente ao ver meu cachorro ruivo ainda bebê as margens de um rio, abandonado, amor que senti ao olhar para os olhos dele. Falo ainda do amor que sinto pelo meu sobrinho, que só faz aumentar e que me dá a sensação que não caberá no meu peito. Lembro que quando menina e minha mãe aprovou termos mais de um cachorro a aflição que senti ao pensar que talvez não houvesse amor para todos em mim. Mas o amor é este sentimento que multiplica-se, soma, que agrega, que partilha....Normalmente falamos pouco desse amor, ocupamo-nos muito dos amores que unem casais. Eu mesma, vez ou outra encontro-me envolvida em alguma "especulação mental" se é amor ou o que os fulanos sentem, ou o que eu mesma sinto. Para mim, o pior sentimento que pode associar-se ao amor é o medo. Medo de perder o outro, medo que o outro ame um outro, medo de mostrar-se como realmente se é... Quando as pessoas têm medo o amor perde sua beleza e morre. E o amor é um sentimento de vida, ele tem esse poder de despertar a vida nas pessoas (que sorriem mais, que ficam melhores, que se arrumam mais, que espalham flores, que dizem mansidões....). Em resumo, para mim, se houver dúvida se é amor o que está se viver e se é um amor bom, a pergunta a ser feita é: é fértil? há um jardim a florescer, mesmo que de pimentas? E se isso estiver a acontecer para os envolvidos, este é um amor que vale a pena ser cuidado, um amor bom...Mas é mais fácil o desacato ao entendimento, a guerra á paz, a separação ao encontro...É uma pena. Mas a vida continua e o amor continua a acontecer gratuitamente em nossos corações inesperadamente (não é o que chamamos de benção?).Desejo a todos neste Natal encontros de puro amor! O amor que dá vida aos olhos, aquece o coração e materializa-se em gestos, palavras e carinhos...
Foto Largo da Graça, quando fomos ver um coral de Natal. Foto tirada pela Tess.
Foto Largo da Graça, quando fomos ver um coral de Natal. Foto tirada pela Tess.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Por favor, Manoel, não pára
Estava treinando minha sanfona quando encontrei esta notícia que o escritor Manoel de Barros vai parar de escrever. Como assim Manoel? Acho que não posso sobreviver a isso. De alguma maneira me acalma saber que você está aí em Campo Grande, fazendo travessuras com as palavras. Sei que é egoísmo meu, que você disse que sua visão está prejudicada...Mas se você parar de escrever agora, temo que meu "umbigo caia". Por favor, Manoel, não pare....
22/12/2008 - Manoel de Barros desvenda a infância da palavra
Mesmo quase sem escrever, Manoel de Barros não é o poeta triste e solitário à espera das horas. É na infância que ele continua a viver. E é dessa infância que nasce toda a sua poesia. Sua saudade é a fonte do minimalismo que eterniza as coisas sem importância do sertão pantaneiro. "Meu umbigo ainda não caiu. A ciência é essa: eu ainda sou infantil". Mas a sua ciência não é lógica, é um contra-senso. Tudo nele é contraditório e desaforado. Nas paredes da sala de sua casa estão ladeados um arlequim de Degas e um velho retrato do vagabundo de Chaplin. No escritório onde produz uma poesia que só explica com imagens, as paredes são brancas. Nas suas mãos estão os profetas bíblicos, embora ele já tinha dito que é comunista. Reservado, há mais de uma década ele se dedica a responder perguntas apenas por escrito. Foram raros os momentos em que se permitiu mostrar sob a palavra falada. Mas foi num desses raros momentos que ele recebeu a Caros Amigos em sua casa, em Campo Grande, cidade onde mora e mantém o seu "escritório de ser inútil, isto é, de ser poeta".Mas que fique claro: esta entrevista não se trata de um lançamento do seu novo livro. Ele faz questão de enfatizar: "Eu não lanço nada. Porque essa palavra "lançar", lá em Cuiabá, quer dizer vomitar. Então eu nunca vomitei e nem vou vomitar aqui".
Leia os principais trechos da entrevista:
Leituras
Estou só relendo. Essa rapaziada mais nova eu quase não leio, inclusive porque estou prejudicado. Leio vinte minutos e começo a lacrimejar. Então eu leio as pessoas que já conheço e que gosto muito. Gosto demais de ler o Padre Antonio Viera, Guimarães Rosa, Machado de Assis, e o velho testamento: os Profetas do velho testamento. Sou fanático pelo velho testamento - pela literatura, como livros de arte. Não encaro aquilo como livro religioso - também me interessa, mas gosto principalmente dos profetas, me agrada muito a linguagem. Mas me angustia, sim, essa coisa de ler pouco. Porque eu acho que a literatura e qualquer arte serve para desabrochar a imaginação. E se você não tem boa leitura, não tem boa musica, não tem boa pintura, a sua imaginação, pelo menos a minha, eu acho que fica um pouco embotada, fica um pouco sem caminho e não desabrocha. Eu tenho escrito muito pouco, a minha imaginação criadora está muito prejudicada. Eu estou bem castrado, sabe. Mas não é culpa minha, velho é isso mesmo, tem limitações. A gente tem que aceitar sem chorar.
Escritório de ser inútil
É muito pequeno, só cabe a mim mesmo. Eu tive uma biblioteca lá no Rio, porque eu morei lá muitos anos, e quando eu mudei para Campo Grande, encaixotei tudo para enviar, mas se perdeu tudo pelo caminho. Não sei se foi algum roubo... Mas era uma biblioteca boa. [Hoje] tenho muitos coisas antigas, mas não tenho essa vaidade [de ter livros raros ou autografados]. E escrevo sempre a mão, no lápis. Eu tenho muitos lápis usados, sabe, muitos, uns cem. Continuo escrevendo até o toco, e depois guardo.
O dom da palavra
Primeiro eu sou cristão, eu acredito no dom. A pessoa nasce como uma predisposição, que eu chamo de dom para a arte. Eu acho que nasci com esse dom. Porque desde que me entendi por gente, com 13 anos, interno no Colégio dos Maristas, que eu fui ler pela primeira vez o Padre Antonio Vieira, foi que descobri o que era poesia, o que era literatura, o que era uma aplicação literária pela palavra. Então eu fiquei apaixonado pela palavra. Você sabe o que é se apaixonar pela palavra? É você sonhar com ela, e você tomar nota, e de manhã você saber se ela dormiu... A partir disso, eu nunca mais quis me aplicar a outra coisa. Eu achei que isso era a minha única destinação. Eu acho que poesia é um parafuso a mais na cabeça, outra uma vez três de menos. E nunca mais saiu da minha cabeça essa predestinação, essa tara, esse homicídio, essa obsessão pela palavra. Desde que comecei a ler o Vieira, eu também comecei a escrever. Escrevi para o meu pai e para minha mãe que já tinha descoberto minha vocação, que não era pra médico, dentista, engenheiro; era pra fazer frase. Eu chamo isso de dom.
Influências
Eu li toda a literatura portuguesa, todinha. Então fui ler francês, Rimbaud, Baudelaire, e esse pessoal toda da língua francesa. Morei nos Estados Unidos por um ano, para ler os poetas de língua inglesa. Mas o Padre Vieira me assusta, pela linguagem própria dele, pela linguagem poética dele, que é uma linguagem literária mesmo, e então descobri o que era literatura. Passei a ler tudo dele, todos os Sermões que ele tinha feito na vida dele, com o maior gosto. Foi um negócio que me levou para toda a literatura quatrocentista portuguesa. Eu passei do Vieira para os outros, Gil Vicente, Camões , etc. Então eu li toda a literatura portuguesa.
Academia
Não conheço nenhum intelectual brasileiro. Conheci só o Carlos Heitor Cony, lá em Cuiabá, quando recebi um prêmio do governador, e o Cony estava lá. No meio de uma porção de gente, e ele me viu e me chamou. Ele disse: "eu quero te falar só uma coisa, eu quero que você vá para a Academia Brasileira de Letras". Eu disse: "de jeito nenhum, não gosto de chá!" Falei mesmo para ele: "Cony, eu não tenho espírito acadêmico, não sou obediente à língua portuguesa, eu gosto muito de corromper a língua, e então ta fora esse negócio da academia." Eu seria um mal elemento lá, um chato. Não dá certo para mim, eu não tenho muito facilidade de conversar com intelectuais, sabe.
Linguagem
Sempre achei a linguagem destroncada mais bela que a comum. E sei que isso foi a causa de meu tardio reconhecimento. Eu concordaria que a linguagem é a minha matéria plástica. Eu plasmo a linguagem para me ser nela. Agora eu não sei se sou um defeito das minhas origens ou um efeito delas. Gosto da semente da palavra, que é a voz de Deus, que habita nas crianças, nos tontos, nos Profetas e nos poetas. Gosto da infância da palavra.
Minimalismo
Penso que vem de minha infância esse olhar minimalista. Eu fui criado no chão a brincar com os sapos e com as lagartixas. Eu tenho paixão pelas coisas sem importância. As coisas muito importantes me aniquilam. Dou como exemplo a bomba atômica. Eu escrevi este verso: O cu de uma formiga é mais importante do que uma bomba atômica. E eu acho mesmo!
*Fonte: Revista Caros Amigos (Ano XII Número 141 Dezembro 2008)
E eu roubei daqui: http://www.aletria.com.br/noticias_abre.asp?id=1089
22/12/2008 - Manoel de Barros desvenda a infância da palavra
Mesmo quase sem escrever, Manoel de Barros não é o poeta triste e solitário à espera das horas. É na infância que ele continua a viver. E é dessa infância que nasce toda a sua poesia. Sua saudade é a fonte do minimalismo que eterniza as coisas sem importância do sertão pantaneiro. "Meu umbigo ainda não caiu. A ciência é essa: eu ainda sou infantil". Mas a sua ciência não é lógica, é um contra-senso. Tudo nele é contraditório e desaforado. Nas paredes da sala de sua casa estão ladeados um arlequim de Degas e um velho retrato do vagabundo de Chaplin. No escritório onde produz uma poesia que só explica com imagens, as paredes são brancas. Nas suas mãos estão os profetas bíblicos, embora ele já tinha dito que é comunista. Reservado, há mais de uma década ele se dedica a responder perguntas apenas por escrito. Foram raros os momentos em que se permitiu mostrar sob a palavra falada. Mas foi num desses raros momentos que ele recebeu a Caros Amigos em sua casa, em Campo Grande, cidade onde mora e mantém o seu "escritório de ser inútil, isto é, de ser poeta".Mas que fique claro: esta entrevista não se trata de um lançamento do seu novo livro. Ele faz questão de enfatizar: "Eu não lanço nada. Porque essa palavra "lançar", lá em Cuiabá, quer dizer vomitar. Então eu nunca vomitei e nem vou vomitar aqui".
Leia os principais trechos da entrevista:
Leituras
Estou só relendo. Essa rapaziada mais nova eu quase não leio, inclusive porque estou prejudicado. Leio vinte minutos e começo a lacrimejar. Então eu leio as pessoas que já conheço e que gosto muito. Gosto demais de ler o Padre Antonio Viera, Guimarães Rosa, Machado de Assis, e o velho testamento: os Profetas do velho testamento. Sou fanático pelo velho testamento - pela literatura, como livros de arte. Não encaro aquilo como livro religioso - também me interessa, mas gosto principalmente dos profetas, me agrada muito a linguagem. Mas me angustia, sim, essa coisa de ler pouco. Porque eu acho que a literatura e qualquer arte serve para desabrochar a imaginação. E se você não tem boa leitura, não tem boa musica, não tem boa pintura, a sua imaginação, pelo menos a minha, eu acho que fica um pouco embotada, fica um pouco sem caminho e não desabrocha. Eu tenho escrito muito pouco, a minha imaginação criadora está muito prejudicada. Eu estou bem castrado, sabe. Mas não é culpa minha, velho é isso mesmo, tem limitações. A gente tem que aceitar sem chorar.
Escritório de ser inútil
É muito pequeno, só cabe a mim mesmo. Eu tive uma biblioteca lá no Rio, porque eu morei lá muitos anos, e quando eu mudei para Campo Grande, encaixotei tudo para enviar, mas se perdeu tudo pelo caminho. Não sei se foi algum roubo... Mas era uma biblioteca boa. [Hoje] tenho muitos coisas antigas, mas não tenho essa vaidade [de ter livros raros ou autografados]. E escrevo sempre a mão, no lápis. Eu tenho muitos lápis usados, sabe, muitos, uns cem. Continuo escrevendo até o toco, e depois guardo.
O dom da palavra
Primeiro eu sou cristão, eu acredito no dom. A pessoa nasce como uma predisposição, que eu chamo de dom para a arte. Eu acho que nasci com esse dom. Porque desde que me entendi por gente, com 13 anos, interno no Colégio dos Maristas, que eu fui ler pela primeira vez o Padre Antonio Vieira, foi que descobri o que era poesia, o que era literatura, o que era uma aplicação literária pela palavra. Então eu fiquei apaixonado pela palavra. Você sabe o que é se apaixonar pela palavra? É você sonhar com ela, e você tomar nota, e de manhã você saber se ela dormiu... A partir disso, eu nunca mais quis me aplicar a outra coisa. Eu achei que isso era a minha única destinação. Eu acho que poesia é um parafuso a mais na cabeça, outra uma vez três de menos. E nunca mais saiu da minha cabeça essa predestinação, essa tara, esse homicídio, essa obsessão pela palavra. Desde que comecei a ler o Vieira, eu também comecei a escrever. Escrevi para o meu pai e para minha mãe que já tinha descoberto minha vocação, que não era pra médico, dentista, engenheiro; era pra fazer frase. Eu chamo isso de dom.
Influências
Eu li toda a literatura portuguesa, todinha. Então fui ler francês, Rimbaud, Baudelaire, e esse pessoal toda da língua francesa. Morei nos Estados Unidos por um ano, para ler os poetas de língua inglesa. Mas o Padre Vieira me assusta, pela linguagem própria dele, pela linguagem poética dele, que é uma linguagem literária mesmo, e então descobri o que era literatura. Passei a ler tudo dele, todos os Sermões que ele tinha feito na vida dele, com o maior gosto. Foi um negócio que me levou para toda a literatura quatrocentista portuguesa. Eu passei do Vieira para os outros, Gil Vicente, Camões , etc. Então eu li toda a literatura portuguesa.
Academia
Não conheço nenhum intelectual brasileiro. Conheci só o Carlos Heitor Cony, lá em Cuiabá, quando recebi um prêmio do governador, e o Cony estava lá. No meio de uma porção de gente, e ele me viu e me chamou. Ele disse: "eu quero te falar só uma coisa, eu quero que você vá para a Academia Brasileira de Letras". Eu disse: "de jeito nenhum, não gosto de chá!" Falei mesmo para ele: "Cony, eu não tenho espírito acadêmico, não sou obediente à língua portuguesa, eu gosto muito de corromper a língua, e então ta fora esse negócio da academia." Eu seria um mal elemento lá, um chato. Não dá certo para mim, eu não tenho muito facilidade de conversar com intelectuais, sabe.
Linguagem
Sempre achei a linguagem destroncada mais bela que a comum. E sei que isso foi a causa de meu tardio reconhecimento. Eu concordaria que a linguagem é a minha matéria plástica. Eu plasmo a linguagem para me ser nela. Agora eu não sei se sou um defeito das minhas origens ou um efeito delas. Gosto da semente da palavra, que é a voz de Deus, que habita nas crianças, nos tontos, nos Profetas e nos poetas. Gosto da infância da palavra.
Minimalismo
Penso que vem de minha infância esse olhar minimalista. Eu fui criado no chão a brincar com os sapos e com as lagartixas. Eu tenho paixão pelas coisas sem importância. As coisas muito importantes me aniquilam. Dou como exemplo a bomba atômica. Eu escrevi este verso: O cu de uma formiga é mais importante do que uma bomba atômica. E eu acho mesmo!
*Fonte: Revista Caros Amigos (Ano XII Número 141 Dezembro 2008)
E eu roubei daqui: http://www.aletria.com.br/noticias_abre.asp?id=1089
Fundilhos carcomidos
Uma das coisas que pretendo fazer aqui é conferir os brinquedos disponíveis nas lojas. Aí no Brasil já havia namorado o blog http://blogdebrinquedo.com.br/ sobre brinquedos e agora penso em conhecê-los de perto. Quero levar alguns para meu sobrinho e outros ligados a ciência para meu uso. Há de tudo! Você pode comprar, por exemplo, uma réplica da roupa de astronauta para crianças, que custa perto de 8 mil dólares. Os insetos têm uma categoria especial com brinquedos para captura, manutenção, observação e insetos eletrônicos e de montar muito giros (legais no português daqui...). Mas eu ainda não vi uma formiga ao menos (o frio...). Encontrei entre os brinquedos esse da foto, que me remeteu a minha infância. Eu e minha irmã tínhamos banheirinhas de plástico para nossos bebês iamginários. Eram banheiras grandes o suficiente para colocarmos nossos bumbuns e descermos ladeira a abaixo. A laderia eram as laterais de uma escada longaaaaaaaaa em nossa casa, para desespero da minha mãe. As banheirinhas ainda existem, e têm os "fundilhos" carcomidos pelo cimento. Como aquilo era divertido! Alguém inventou para as crianças um briquedo semelhante (como o da foto), fizeram o serviço para as crianças....Roubaram-lhes a oportunidade de inventar.Mas vá lá....É bacana!
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Por que nossos alunos encontram-se desmotivados?
Enquanto posto delicio-me com um generoso pedaço de panetone e aqueço-me com uma xícara fumegante de chá. Pena que não possa estender ao meu leitor minha "merenda" a fim de tornar esta conversa em um cena típica de um momento entre amigos. Quero falar sobre o post anterior, o comentário do meu visitante Dedalus (http://dedalus-atlas.blogspot.com/) e seu último post em seu instigante e poético blog, e ainda as muitas conversas com professores que tenho vivido aqui em Lisboa. Dedalus, sim, o Rubem Alves não é um apreciador da escola. Mas é importante esclarecer que ele não aprecia a escola tal qual ela está organizada. Há um livro(A escola com que sempre sonhei, sem imaginar que pudesse existir) no qual ele descreve uma escola que ele aprecia muitíssimo, a Escola da Ponte, localizada aqui em Portugal. Ele critica o formato decoreba, as práticas que reforçam o "não pensar", a pouca ousadia do educador. Se a escola é para você Dedalus um lugar bom, é preciso considerar que o mesmo não acontece para a a maioria das pessoas. Normalmente quando inquirimos alguém acerca dos seus sentimentos com relação a escola e este declara ter boas lembranças, basta algumas novas questões para descobrirmos que esta pessoa gostava mesmo das situações sociais, estar entre amigos. Entenda, eu digo isso com profundo pesar, pois tudo que eu mais queria na vida era que as pessoas se interessassem espontâneamente pelo conhecimento, independente dos nossos esforços como professores. E para mim a escola deveria ser o espaço fomentador dessa empreitada formativa do homem, como a Skolé de Epicuro! Mas infelizmente nossos alunos encontram-se desmotivados. Uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas no ano passado revelou que aproximadamente 45% dos alunos que se encontram fora da escola no Brasil o estão pois "não querem a escola tal como ela é". Se uma criança vê uma aranha caminhar sobre a água e pergunta para sua professora como aquilo se dá e ela diz "ah! isso é assunto para a oitava série" não há como pedir que nossos jovens mantenham-se curiosos. Se eles são ensinados desde cedo que existem repostas corretas e respostas erradas não há como esperar que eles sejam quetionadores. Se há uma curiosidade genuína própria do bicho homem (e eu preciso acreditar que ela exista!) a escola com seus mecanismos enquadadores tem mutilado muitos dos nossos jovens. Insisto que se para você isso não foi assim, lembremos que as pessoas são diferentes, não pode haver um só modelo para a diversidade de formas de pensar. Aqui em Lisboa eu tenho participado de discussões de professores que têm tentando encontrar "outros jeitos de ensinar" insatisfeitos com o pouco envolvimento dos alunos com os conteúdos. Hoje estive com uma professora que testou uma metodologia diferente para o ensino de "astronomia". Lógico que lembrei do seu post. Ela inquieta-se com a pluralidade de respostas e desempenhos. Convocamos autores diversos da educação para tentarmos compreender. E eu com meus botões sempre pensei: "meu Deus! astronomia é um assunto maravilhoso! a aula está pronta, basta olhar para o céu e dizer 'eu vou contar uma história'..." Mas didatizamos a poética do cosmos, e os alunos reconhecem o formato escola, e regurgitam como podem. Dedalus, seu método parece funcionar para os Dedalus presentes nas suas turmas, mas imagino que você queria "encantar de ciência" aqueles que vivem no desencanto, não? Então precisamos pensar outros caminhos, outras estratégias. Dedalus, você é um contador de histórias. Sua descrição do siri nadando em seu blog foi uma das cenas mais graciosas e revigorantes com que me deparei ultimamente. Não sei o tipo de professor que é, mas você fala com essa paixão com seus alunos? Você chegou a pedir que eles produzissem algum modelo, colocou-os em ação? Fizeram alguma saída para um observatório, planetário ou mesmo uma saída noturna? Que tal um blog sobre o cosmos gerido pelos alunos? Quando dei aulas na universidade também tive problemas com a leitura dos textos (é um problema geral). Costumava fazer uma síntese dos textos previstos para as aulas seguintes ao final de um encontro, uma síntese bastante enfática, uma espécie de "semeadura"....Falei demais. Espero que esta conversa continue.
Alguns dados: 1) Nossos jovens nunca leram tanto! Onde? Na web...; 2) Programas educativos sob o formato History Channel são rejeitados pela população por assemelharem-se as práticas educativas proprias da sala de aula.
Alguns dados: 1) Nossos jovens nunca leram tanto! Onde? Na web...; 2) Programas educativos sob o formato History Channel são rejeitados pela população por assemelharem-se as práticas educativas proprias da sala de aula.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Olhos subtraídos...
Nesses tempos que tenho desejo de ver tanto...esse texto me veio a memória..
Curiosidade é uma coceira nas idéias
Rubem Alves
(www.aprendiz.com.br)
Eu estava com a cabeça quente. Queria descansar, parar de pensar. Para parar de pensar, nada melhor que trabalhar com as mãos. Peguei minha caixa de ferramentas, a serra circular e a furadeira e fui para o terceiro andar, onde guardo os meus livros.
Iria fazer umas estantes. As tábuas já estavam lá. Nem bem comecei a trabalhar de carpinteiro e fui interrompido com a chegada da faxineira. Com ela, sua filhinha de sete anos, Dionéia. Carinha redonda, sorriso mostrando os dentes brancos, trancinhas estilo afro. O que era de se esperar para uma menina da idade dela era que ficasse com a mãe. Não ficou. Preferiu ficar comigo, vendo o que eu fazia. Por que ela fez isso? Curiosidade. Curiosidade é uma coceira que dá nas idéias... Aquelas ferramentas e o que eu estava fazendo a fascinavam. Queria aprender.
"O que é isso que você tem na mão?", ela perguntou. "É uma trena", respondi. "Para que serve a trena?", ela continuou. "A trena serve para medir. Preciso de uma tábua de 1,20 m. Assim, vou medir 1,20 m. Veja!"
Puxei a lâmina da trena e lhe mostrei os números. Ela olhou atentamente. "Você já sabe os números?", perguntei. "Sei", ela respondeu. Continuei: "Veja esses números sobre os risquinhos. O espaço entre esses risquinhos mais compridos é um centímetro. Um metro tem cem centímetros, cem desses pedacinhos. Veja que, de dez em dez centímetros, o número aparece escrito em vermelho. É que, para facilitar, os centímetros são amarrados em pacotinhos de dez. Um metro é feito com dez pacotinhos de dez centímetros. E 1,20 m são dez desses pacotinhos, para fazer um metro, mais dois, para completar os 20 centímetros que faltam". Marquei 1,20 m na tábua com um lápis e me preparei para cortá-la.
Assim se iniciou uma das mais alegres experiências de aprendizagem que tive na vida. A Dionéia queria saber de tudo. Não precisei fazer uso de nenhum artifício para que ela estivesse motivada. O que a movia era o fascínio daquilo que eu estava fazendo e das ferramentas que eu estava usando. Seus olhos e pensamentos estavam coçando de curiosidade. Ela queria aprender para se curar da coceira... Os gregos diziam que a cabeça começa a pensar quando os olhos ficam estupidificados diante de um objeto. Pensamos para decifrar o enigma da visão. Pensamos para compreender o que vemos. E as perguntas se sucediam. Para que serve o esquadro? Como é que as serras serram? Por que é que a serra gira quando se aperta o botão? O que é a eletricidade?
Lembrei-me de Joseph Knecht, o mestre supremo da ordem monástica Castália, do livro "O Jogo das Contas de Vidro", de Hermann Hesse. Velho, ao final de sua carreira, no topo da hierarquia dos saberes, ele se viu acometido por um enfado sem remédio com tudo aquilo e passou a sentir uma grande nostalgia. Ele queria descer da sua posição para fazer uma coisa muito simples: educar uma criança, uma única criança, que ainda não tivesse sido deformada pela escola. Pois ali estava eu, vivendo o sonho de Joseph Knecht: a Dionéia, que ainda não fora deformada pela escola. Seu rosto estava iluminado pela curiosidade e pelo prazer de entrar num mundo que não conhecia.
Lembrei-me de Aristóteles em "Metafísica": "Todos os homens têm, por natureza, um desejo de conhecer: uma prova disso é o prazer das sensações, pois, fora até de sua utilidade, elas nos agradam por si mesmas, e, mais que todas as outras, as visuais...".
Acho que ele errou. Isso não é verdade para os adultos. Os adultos já foram deformados. Acho que ele estaria mais próximo da verdade se tivesse dito: "Todos os homens, enquanto são crianças, têm, por natureza, desejo de conhecer...".
Para as crianças, o mundo é um vasto parque de diversões. As coisas são fascinantes, provocações ao olhar. Cada coisa é um convite.
Aí a Dionéia sumiu. Pensei que ela tivesse voltado para a mãe. Engano. Alguns minutos depois ela voltou. Estivera examinando uma coleção de livros. "Sabe aqueles livros, todos de capa parecida? Os três primeiros livros estão de cabeça para baixo." Retruquei: "Pois ponha os livros de cabeça para cima!".
Ela saiu e logo depois voltou. "Já pus os livros de cabeça para cima." E acrescentou: "Sabe de uma coisa? O livro com o número 38 está fora do lugar". Aí aconteceu comigo: fui eu quem ficou estupidificado... Ela, que não sabia escrever, já sabia os números.
E sabia mais, que os números indicavam uma ordem. Fiquei a imaginar o que acontecerá com a Dionéia quando, na escola, os seus olhinhos curiosos serão subtraídos do fascínio das coisas do mundo que a cerca e vão ser obrigados a seguir aquilo a que os programas obrigam. Será possível aprender sem que os olhos estejam fascinados pelo objeto misterioso que os desafia?
Pois sabe de uma coisa? Acho que vou fazer com a Dionéia aquilo que Joseph Knecht tinha vontade de fazer...
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Curiosidade é uma coceira nas idéias
Rubem Alves
(www.aprendiz.com.br)
Eu estava com a cabeça quente. Queria descansar, parar de pensar. Para parar de pensar, nada melhor que trabalhar com as mãos. Peguei minha caixa de ferramentas, a serra circular e a furadeira e fui para o terceiro andar, onde guardo os meus livros.
Iria fazer umas estantes. As tábuas já estavam lá. Nem bem comecei a trabalhar de carpinteiro e fui interrompido com a chegada da faxineira. Com ela, sua filhinha de sete anos, Dionéia. Carinha redonda, sorriso mostrando os dentes brancos, trancinhas estilo afro. O que era de se esperar para uma menina da idade dela era que ficasse com a mãe. Não ficou. Preferiu ficar comigo, vendo o que eu fazia. Por que ela fez isso? Curiosidade. Curiosidade é uma coceira que dá nas idéias... Aquelas ferramentas e o que eu estava fazendo a fascinavam. Queria aprender.
"O que é isso que você tem na mão?", ela perguntou. "É uma trena", respondi. "Para que serve a trena?", ela continuou. "A trena serve para medir. Preciso de uma tábua de 1,20 m. Assim, vou medir 1,20 m. Veja!"
Puxei a lâmina da trena e lhe mostrei os números. Ela olhou atentamente. "Você já sabe os números?", perguntei. "Sei", ela respondeu. Continuei: "Veja esses números sobre os risquinhos. O espaço entre esses risquinhos mais compridos é um centímetro. Um metro tem cem centímetros, cem desses pedacinhos. Veja que, de dez em dez centímetros, o número aparece escrito em vermelho. É que, para facilitar, os centímetros são amarrados em pacotinhos de dez. Um metro é feito com dez pacotinhos de dez centímetros. E 1,20 m são dez desses pacotinhos, para fazer um metro, mais dois, para completar os 20 centímetros que faltam". Marquei 1,20 m na tábua com um lápis e me preparei para cortá-la.
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Lembrei-me de Joseph Knecht, o mestre supremo da ordem monástica Castália, do livro "O Jogo das Contas de Vidro", de Hermann Hesse. Velho, ao final de sua carreira, no topo da hierarquia dos saberes, ele se viu acometido por um enfado sem remédio com tudo aquilo e passou a sentir uma grande nostalgia. Ele queria descer da sua posição para fazer uma coisa muito simples: educar uma criança, uma única criança, que ainda não tivesse sido deformada pela escola. Pois ali estava eu, vivendo o sonho de Joseph Knecht: a Dionéia, que ainda não fora deformada pela escola. Seu rosto estava iluminado pela curiosidade e pelo prazer de entrar num mundo que não conhecia.
Lembrei-me de Aristóteles em "Metafísica": "Todos os homens têm, por natureza, um desejo de conhecer: uma prova disso é o prazer das sensações, pois, fora até de sua utilidade, elas nos agradam por si mesmas, e, mais que todas as outras, as visuais...".
Acho que ele errou. Isso não é verdade para os adultos. Os adultos já foram deformados. Acho que ele estaria mais próximo da verdade se tivesse dito: "Todos os homens, enquanto são crianças, têm, por natureza, desejo de conhecer...".
Para as crianças, o mundo é um vasto parque de diversões. As coisas são fascinantes, provocações ao olhar. Cada coisa é um convite.
Aí a Dionéia sumiu. Pensei que ela tivesse voltado para a mãe. Engano. Alguns minutos depois ela voltou. Estivera examinando uma coleção de livros. "Sabe aqueles livros, todos de capa parecida? Os três primeiros livros estão de cabeça para baixo." Retruquei: "Pois ponha os livros de cabeça para cima!".
Ela saiu e logo depois voltou. "Já pus os livros de cabeça para cima." E acrescentou: "Sabe de uma coisa? O livro com o número 38 está fora do lugar". Aí aconteceu comigo: fui eu quem ficou estupidificado... Ela, que não sabia escrever, já sabia os números.
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Pois sabe de uma coisa? Acho que vou fazer com a Dionéia aquilo que Joseph Knecht tinha vontade de fazer...
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