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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Escola, estufa, jardim, deserto, oásis....


Fiquei com mal estar por não ter escrito nada sobre o dia dos professores, senti-me omissa. Ser professora na minha vida foi uma escolha, não uma falta de opção, como eu vejo muito frequentemente acontecer. Eu ia ser uma pesquisadora* de campo, ia por meio do mato, essa coisas que já contei aqui. Mas fiquei tão infeliz...Via tantas maravilhas e não tinha pra quem contar. Foi então que descobri-me professora.E Deus me abençoou com a escola em que fui trabalhar, o maior presente vindo dos céus na minha vida(até então, né). A escola de cegos. Se havia em mim uma semente para o magistério, ali ela floresceu, espalhou-se, firmou o terreno, criou gavinhas, descobri-me um jardim! Sei, é romântica essa descrição, mas se há uma metáfora para descrever o que se passou comigo, é essa, a de um jardim. Mas não escrevi ontem porque no momento, estou mais para uma estufa do que para um jardim. Quem é estéril não merece a sala de aula, ambinete de fecundidade. No momento estou meio desértica. Alguém sabe de um oásis?
* Sou pesquisadora, hein, na área de humanas...Mesmo que não pese, não meça, não conte, não use trena tampouco tubos de ensaio!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Como seria a escola dos seus sonhos?



Muito bacana as dicussões nascidas dessa aula-brincadeira feita com os alunos da Escola Marconi, de Belo Horizonte/MG. É sempre revigorante ver jovens pensantes, críticos e sensíveis. E ainda tem gente que diz que nossa juventude não quer nada da vida! 0 que eu achei muito interessante, é que o conteúdo do Viveiro promoveu inquietações acerca da escola, maneiras de ensinar e de aprender. E com a palavra, eles, os alunos!

Faz de conta...que um anjo apareceu, e disse que você foi escolhido para transformar a escola que conhecemos. Como seria a escola dos seus sonhos? Haveria prova? E dever de casa? O que se estudaria nessa escola...? Quanto tempo o aluno deveria passar por dia na escola? E por toda vida? Como seriam os espaços, teríamos salas de aula,salas de convivência, piscina, sala de cienma...? Os alunos seriama grupados por idade, por sexo, por interesse..? Como saberíamos se esses alunos estariam aprendendo, melhorando como pessoas? Se existisse biblioteca que livros, revistas...encontraríamos lá? Como seriam os professores dessa escola dos sonhos? O que esta escola teria de diferente da escola que conhecemos? E em que elas se pareceriam? Como seria a sua escola.....

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Escola tradicional X escola "moderna"




Meninos, pensei em falar sobre isso propondo um jogo. Descrever dois tipos de escola e vocês lerem tentando encontrar a escola (ou as escolas) que estudam (ou que já estudaram) e reconhecer os professores de vocês (os atuais e os antigos). Acontece que isso não seria muito justo, especialmente para as escolas não tradicionais, pois elas existem sob uma grande veriedade de formas e nomes...Sendo assim esclareço que as características que vou utilizar para descrever cada tipo de escola são genéricas, falam de traços marcantes e recorrentes...Mas que podem existir (e existem!) muitas outras variáveis. Vamos ao jogo:

Escola tipo 1
Na escola tipo 1 o professor é figura central, decide tarefas, avalia, apresenta o conteúdo que irão estudar, segue a risca o planejamento. Praticamente só ele fala, os alunos escutam e não há incentivo para perguntas. A aula é passada no quadro negro (lousa)e os alunos copiam em seus cadernos (mesmo que aquele conteúdo esteja no livro didático!!). O livro didático/apostilas são como bíblias do conhecimento, quase sempre fonte única de consulta. No lugar do pensar, os alunos precisam memorizar/decorar todo o conteúdo, que irá ser "cobrado" em uma prova. Os alunos recebem nota por seu desemepenho, e essa nota poderá definir se ele seguirá em frente ou terá que refazer todo o estudo daquele período. São muitos os questionários...
Escola tipo 2
Na escola do tipo 2 o aluno é incetivado a se expressar, perguntar, ser curioso. A dúvida existe e o erro é entendido como parte do processo do aprender. Valoriza-se mais o pensamento que o decoreba. O professor pode pedir sugestões para os alunos sobre conteúdos, atividades e o planejamento das aulas. Além da lousa, o professor busca utilizar outros recursos, como jornais impressos, programas de televisão, músicas, filmes, trabalhos manuais. Procura-se avaliar o aluno de maneiras variadas, não super-valorizando as provas escritas.

E aí, encontrou-se? Você estuda em uma escola do tipo 1 ou do tipo 2? Acredita que estuda na escola do tipo 1 mas alguns professores se comportam como os professores da escola do tipo 2? Sua escola tem características da escola do tipo 1 e 2? Tudo certo, atualmente essa mistura de estilos é uma realidade. Uma escola é um caldeirão de estilos! É verdade que algumas escolas organizam-se de maneira a enquadrar-se a um tipo apenas, dependendo do que seus diregentes e as vezes seus professores acreditam. As escolas tradicionais, o tipo 1 aqui descrito, têm fama de serem eficientes e garantirem que os alunos estejam preparados para o famigerado vestibular. Já as escolas não tradicionais ou "modernas", o tipo 2, preocupam-se em respeitar a liberdade do aluno,sua criatividade e fé em si mesmo. Cada escola prepara um tipo de cidadão, e ao escolhermos o tipo de escola que queremos estamos de fato decidindo sobre o tipo de gente que vai habitar o mundo...Repetidores...Criadores...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Ê, ô, ô, vida de gado...Povo marcado, ê, povo feliz....

Autonomia na escola: virem-se meus queridos!
Muitas escolas declaram ter estratégias de ensino que valorizam a autonomia da criança. Minha experiência acompanhou situações de grande desconforto para os pequenos, pois a idéia de “autonomia” para muitas professoras é “virem-se, meu queridos”. Esse tipo de habilidade, gerenciar seu tempo, as atividades que pretende realizar, quando pedir ajuda, deveria ser trabalhada diariamente. Longo percurso, diga-se de passagem. Na sala de aula, o aluno vai aprendendo a acessar recursos para que aos poucos sinta-se confiante para tomar decisões sobre sua vida estudantil.

Metacognição o que?
Torço para que um dia as escolas passem a sonhar que seus alunos sejam capazes de realizar a metacognição, bem diferente de autonomia. A metacognição é o processo através do qual cada sujeito seria capaz de gerenciar seu próprio aprendizado, reconhecendo dificuldades, pontos de fragilidade que deveriam ser revisitados, quando avançar, quando diminuir o ritmo, quando arriscar...

Há vida inteligente aqui? Mas há aqui um problema para a escola: alunos capazes de metacognição dão palpites demais, vão questionar estratégias, vão sugerir percursos, vão entender o que professor pretende em cada atividade (e reconhecer quando o cara não souber o que está fazendo). O problema apareceria quando nem o professor é capaz de identificar o objetivo de uma atividade. E por favor, sejamos honestos, muitos dos nosso professores são seguidores acéfalos de receitais (visualizem cartilhas, apostilas, livros). É muito importante o professor se perguntar (e saber) o que ele gostaria que os alunos “alcançassem” a cada atividade. No início da aula ele poderia contar para os alunos, olha, hoje eu gostaria que no final d aula cada um de vocês soubesse conceituar efeito estufa e me contar quais são os elementos envolvidos nessa história. Imaginem a cena, uma aluno questionando a atividade de escrever 100 vezes uma palavra grafada errada, solicitando que o professor explicasse do ponto de vista cognitivo como aquela atividade poderia contribuir para que ele não incorresse no erro. É. Talvez isso seja ainda demais pra nossa adestrada humanidade não pensante....Que fique aqui mais essa semente no nosso viveiro. Ê, ô, ô, vida de gado...Povo marcado, ê, povo feliz....